Acordo de leniência com construtora deflagrou investigação na prefeitura do Rio

Bruno Cirelli
Agosto 6, 2017

O homem que esteve à frente de grandes obras do Rio nos últimos anos também se preocupou em construir um patrimônio pessoal financiado pela corrupção, dizem os investigadores.

Entre os dez alvos de mandados de prisão na Operação da Lava Jato deflagrada nesta quinta-feira (3), no Rio de Janeiro, estão o ex-secretário de Obras Alexandre Pinto e o ex-subsecretário Vagner de Castro Pereira.

É investigado o pagamento de propina nas obras da segunda etapa do sistema de transporte público BRT Transcarioca e da recuperação ambiental da Bacia de Jacarepaguá. A obra da Transcarioca custou R$ 2 bilhões aos cofres públicos. Ela afirmou que o então secretário de Obras do Rio exigiu 1% do valor do contrato.

Também foram cumpridos mandados de prisão no Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal. No escritório de Vanuza Vidal Sampaio, a polícia encontrou vários pacotes com esmeraldas.

As investigações começaram após acordo de leniência firmado pela Carioca Engenharia. Ela afirmou ainda que Pinto exigiu 1% do valor do contrato.

Também revelaram que havia pagamento de propina para pessoas ligadas ao Tribunal de Contas do município.

Ao mesmo tempo, os investigados acertaram com Alexandre Pinto propina de 1%, que eram entregues em dinheiro diretamente ao ex-secretário.

De acordo com a investigação, Alexandre Pinto frequentava postos de gasolina e padarias, onde combinava o pagamento das propinas. Ele é alvo de investigação sobre suposto pagamento de propina nas obras do BRT Transcarioca e de recuperação ambiental da Bacia de Jacarepaguá.

Na entrevista aos jornalistas, os procuradores responderam se há alguma ligação do ex-prefeito com o esquema. As apurações apontaram que o esquema de cobrança de propinas comandado por integrantes do PMDB no estado do Rio de Janeiro funcionava também na Secretaria Municipal de Obras da capital. Familiares de Alexandre Pinto compraram imóveis e carros para lavar o dinheiro. "Ao contrário! Caso confirmadas as acusações, será uma grande decepção o resultado dessa investigação.", disse Paes. Pela primeira vez, a força-tarefa da Lava-Jato atinge a esfera municipal. Tentar envolver o PMDB-RJ é uma leviandade. "Dá para perceber as conexões entre os dois esquemas, por isso chegamos à essa nova fase da operação".

A Carioca Engenharia afirmou que continua com o compromisso de colaborar com a Justiça. Em nota, o Ministério das Cidades informou que, apesar de não ainda não ter sido notificado, "já está tomando as devidas providências em busca da apuração interna dos fatos".

O Tribunal de Contas do município não se manifestou.

Altre relazioni OverNewsmagazine

Discuti questo articolo

SEGUI I NOSTRI GIORNALE